Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

As Institutas [*****]



João Calvino
Editora Cultura Cristã
1528 Páginas

9 comentários:

Jorge Fernandes Isah disse...

Não apresentarei comentários progressivos à medida em que a leitura se desenvolver, tendo em vista que este volume se destina como material para as aulas da E.D.B. em minha igreja.

Portanto, caso alguém se interesse no teor do que foi lido e estudado, e em outras obras que indicarei, basta acessar o meu blog princípal, "Kálamos", cujo banner encontra-se à sua esquerda [para ir ao blog basta clicar no logo], ler e ouvir o material das aulas sobre a Confissão de Fé Batista de 1689.

O conteúdo da obra estará disperso entre muita coisa que li e lerei, o que pode não interessar àqueles que buscam uma informação específica, mas dada a exiguidade de tempo, torna-se impraticável, para mim, fazê-lo como tenho feito a outros livros.

Mas o que considerar relevante e imprescindível, procurarei relatar por aqui.

Posso dizer que já li a obra máxima de Calvino quase completamente, ainda que não sequencial, e esparsadamente; e garanto que, no geral, ela é muito boa, a qual aconselho a aquisição e leitura.

É isso!

visão classificados disse...

uma profunda fonte de conhecimento...vale muito a pena ter

Jorge Fernandes Isah disse...

Estou por volta da página 90 do volume 1 das Institutas e, além do caráter didático com o qual Calvino desenvolve os temas presentes em sua "sistemática", com riqueza de detalhes e ilustrações bíblicas, o que me salta aos olhos, e sempre saltou-me, tornando-o diferente de outros autores dogmáticos, é o tom nitidamente [ao menos, para mim] devocional com que escreveu. Parece-me que Calvino está mais preocupado, ou melhor, intencionado, em ser o pastor da alma do leitor do que o professor da sua mente [uma retórica, claro! Pois mente e alma são intrínsecas]. O que sempre me pareceu uma virtude dele, e uma grande vantagem para quem lê; porque o texto religioso tem de ser espiritual, ainda que preencha aspectos formais do ensino.

A forma como ele expõe as doutrinas bíblicas mais complexas e difíceis ao entendimento, com temor e tremor, reverência e submissão ao texto bíblico [e, por conseguinte, a Deus; sendo que há uma mão-dupla na relação reverência a Deus x reverência à revelação especial], que o mesmo pode ser usado tranquilamente como devocional diário, tal o espírito piedoso com que o texto foi redigido.

Na maioria das T.S. que já li, e mesmo em livros doutrinários, há uma "frieza", onde o espírito é mais doutoral, professoral, no sentido de explicar um enunciado, mais do que revelar a sua importância e magnitude, pois está-se a falar do que não pode se resumir ao didatismo, mas que implicará em uma vida espiritual e de sujeição a Deus. Portanto, ainda que eu não concorde com tudo o que o reformador diz, agrada-me sobremaneira a forma como ele a diz, pois indica um homem que, antes de ser um mestre, preocupou-se e tornou-se um grande discípulo.

Graças a Deus pela vida de Calvino, por sua devoção e subserviência ao nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.

Pr. Raphael Melo disse...

As institutas são aqueles textos que precisam ser lidos pelos cristãos pelo menos uma vez na vida, se isso for possível, já que somente a bíblia é suficiente.

Site da Igreja Apostólica Palavra Viva - Jesus-evangelho

Jorge Fernandes Isah disse...

Por conta das aulas da EBD no Tabernáculo Batista Bíblico, fiz uma pesquisa no livro IV, pg. 49, e me deparei com a seguinte declaração do Reformador que, se não é idêntica à que defendi na postagem: "O pecado que Cristo não levou", publicado no Kálamos, parece, em princípio, confirmar o que eu digo e que causou a rejeição da maioria dos comentários. Até agora, por mais que eu leia e releia o que eu e os comentadores escrevemos, não consigo entender a dificuldade em se reconhecer a singularidade da humanidade de Cristo. Mas vamos ao que Calvino tem a dizer, ou melhor, disse:

"Pois se temos fé nas Escrituras que eloqüentemente proclamam que por fim em Cristo se revelou plenamente a graça e a humanidade do Senhor [Tt 2.13], derramada a opulência de sua misericórdia [2Tm 1.9; Tt 3.4], consumada a reconciliação de Deus e dos homens [2Co 5.18], não nutramos dúvida de que muito mais benigna se exibe diante de nós a clemência do Pai celestial, a qual não foi cortada
nem apoucada".

Então, como é que ficam os defensores da humanidade de Cristo herdada de Adão?

Jorge Fernandes Isah disse...

Voltando ao Livro I, mas ainda tratando da postagem no Kálamos intitulada "O Pecado que Cristo não Levou", fui acusado em vários comentários de ser dualista e de defender uma separação forte entre corpo e alma. Como sou um "pé-rapado" teológico ou um "João-ninguém" se preferirem, acabei de ler a posição de um "grande", João Calvino, a qual transcrevo. Antes, deixo a pergunta: alguém se atreveria a chamar o Reformador de dualista?

"Contudo, entre leitores piedosos será bastante um simples lembrete. Ora, se a alma não fosse algo essenciado, distinto do corpo, a Escritura não ensinaria que habitamos casas de barro e que na morte migramos do tabernáculo da carne, despojamo-nos do que é
corruptível para que, por fim, no último dia recebamos a recompensa, em conformidade com o que, enquanto no corpo, cada um praticou. Ora, por certo que essas referências, e semelhantes a essas, que ocorrem com freqüência, não só distinguem claramente a alma do corpo, mas ainda lhe transfere o designativo homem, indicando ser ela a parte principal. Ora, quando Paulo exorta os fiéis [2Co 7.1] a que se purifiquem de toda impureza da carne e do espírito, ele enuncia duas partes nas quais reside a sordidez do pecado. Também Pedro, chamando a Cristo “pastor e bispo das almas” [1Pe 2.25], teria falado improcedentemente, se não existissem almas em relação às quais desempenhasse este ofício. Nem seria procedente, a não ser que as almas tivessem essência própria, o fato de que fala acerca da eterna salvação das almas, e que ordena purificar as almas, e que desejos depravados militam contra a alma [1Pe 1.9; 2.11]; de igual modo, o autor da Epístola aos Hebreus [13.17] declara que os pastores velam para que prestem conta de nossas almas. Com o mesmo propósito é o fato de Paulo [2Co 1.23] invocar a Deus por testemunha contra sua própria alma, porquanto ela não se faria ré diante de Deus, se não fosse susceptível à penalidade. Isto expressa-se ainda mais claramente nas palavras de Cristo, quando ele manda que se tema àquele que, após haver matado o corpo, pode lançar a alma na Gehena de fogo [Mt 10.28; Lc 12.5]. Ora, quando o autor da Epístola aos Hebreus distingue Deus dos pais de nossa carne, como sendo o Pai dos espíritos, não poderia ele afirmar de modo mais claro a essência das almas." Intitutas, Livro I, pg 178

Jorge Fernandes Isah disse...

A partir da leitura do trecho em que Calvino trata da Providência Divina, escrevi o texto no Kálamos intitulado "O Calvinismo que se afastou de Calvino", onde se pode perceber que, a partir do pensamento do reformador, a maioria dos calvinistas não é calvinista ou, quando muito, podem ser chamados de meio-calvinistas.

O link para a postagem é http://kalamo.blogspot.com.br/2013/01/o-calvinismo-que-se-afastou-de-calvino.html

Jorge Fernandes Isah disse...

Outro ponto interessante e que gerou muita discussão em uma postagem no Kálamos refere-se à vontade divina. Estabeleceu-se que Deus tem duas vontades: decretiva e precetiva, com a qual não concordo, e que também Calvino não concorda. Transcreverei um trecho do Capitulo "A vontade de Deus é una e soberana", em que ele deixa isso muito claro, e que pode ser lido ao final do volume I: "Ora, facilmente se refuta o que objetam, em primeiro lugar, isto é, que se nada
acontece a não ser que Deus o queira, há nele duas vontades contrárias, porquanto,
de seu desígnio secreto, decreta o que abertamente proibiu através de sua lei. Contudo, antes que eu responda, quero de novo prevenir os leitores de que esta cavilação
não se volta contra mim; ao contrário, é contra o Espírito Santo que, de fato, ditou ao santo varão Jó esta confissão: “Como aprouve a Deus, assim se fez” [Jó
1.21]. Como fora despojado por ladrões, reconhece no dano e malefício que fizeram
o justo azorrague de Deus.
Que diz a Escritura em outro lugar? “Os filhos de Eli não obedeceram ao pai, porque Deus os queria matar” [1Sm 2.25]. Proclama ainda outro Profeta: “Deus, que habita no céu, faz tudo quanto quer” [Sl 115.3]. E, com clareza suficiente, já
mostrei que todas essas coisas que esses censores querem que aconteçam somente por sua permissão passiva, Deus é chamado o autor de todas elas. Ele testifica que
cria a luz e as trevas, que forma o bem e o mal” [Is 45.7]; que nada de mau acontece que ele mesmo não o tenha feito [Am 3.6].
Rogo, pois, que digam se Deus exerce seus juízos porque assim o quer, ou a
despeito de não o querer? Mas, da mesma forma que Moisés ensina [Dt 19.5] que,
por eficiência divina, aquele que é morto pelo desvio acidental de um machado foi
entregue à mão do que o fere, assim também diz à Igreja toda, em Lucas [At 4.28],
que Herodes e Pilatos se mancomunaram para fazer o que a mão e o desígnio de
Deus haviam decretado. E, com efeito, a não ser que Cristo houvesse sido crucificado
porque Deus assim o quis, donde teríamos redenção?" [pg 233-234]

Aconselho aos interessados que leiam todo o trecho, o que selecionei é apenas um aperitivo...

Jorge Fernandes Isah disse...

Mais um trechinho do que Calvino diz a respeito daqueles que alegam falsa ignorância como sinal de modestia:

"Mas, visto que até aqui mencionei apenas coisas que são transmitidas na Escritura de forma clara e sem ambigüidade, é preciso ver os que não hesitam em tisnar os oráculos celestes de sinistras marcas de ignomínia, e de que gênero de censura fazem uso. Ora, se com falsa aparência de ignorância anelam ao louvor da modéstia, que de mais altivo se pode imaginar que opor à autoridade de Deus uma opiniãozinha insignificante: “Meu parecer é outro”, ou: “Não me agrada abordar isso”? Se ao contrário se põem abertamente a maldizer, que proveito fruirão arremetendo-se contra o céu a cuspir?"
[Institutas, Vol I: "A vontade de Deus é una e soberana"]